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  A divindade Branca         

  Oxalá é o nome pelo qual se conhece o “Senhor do Pano Branco” – o grande orixá. Em África, todos os orixás relacionados com a criação dos seres humanos, são designados pelo nome de Orixá Funfun – as divindades brancas. A cor branca é então, a cor da criação, que guarda a essência de todas as demais. 

Oxalá foi o primeiro orixá a ser enviado por Olodumaré, o Deus supremo, e foi encarregado de criar não só o universo, bem como todos os seres do Céu e da Terra e todas as coisas que existiriam no mundo. É entendido como o continuador da obra da criação e seu ambiente é o das ideias sempre criativas. No entanto, tinha também um carácter obstinado e independente, o que por vezes, lhe causava inúmeros problemas. É o orixá a quem todos se curvam em sinal de profundo respeito pela sua importância na hierarquia das divindades. 

Oxalá é o pai de todos os orixás, excepto de Logun Edé, que é filho de Oxóssi e Oxum e de Iemanjá que tem uma filiação controversa, sendo mais citados Odudua e Olokum, e por extensão pai de toda a humanidade. Estabelece, então entre si e os outros, não uma aura de temeridade, mas sim de respeito e carinho. 

 Esta divindade do Branco apresenta-se ora como um jovem guerreiro – Oxaguiã; ora como um velho curvado ao peso dos anos – Oxalufã.

Oxalufã:

 O criador da Humanidade 

Quando se diz Oxalá, é Oxalufã que queremos designar, pois ele é saudado como o grande orixá da criação. Não tem mais poderes nem é hierarquicamente superior, mas merece o respeito de todos por representar o patriarca, o chefe de família.Oxalufã é um orixá funfun, velho e sábio que carrega um cajado –Òpasorò- com aros sobrepostos adornados de pingentes e que em cima tem uma pomba, símbolo de poder. Este ceptro do mistério serve não só para o ajudar a caminhar, mas representa também uma poderosa arma, com a qual separou o mundo dos homens (Terra) do mundo dos deuses (Céu).O ar, a essência da vida é o grande elemento deste orixá. Ter ar, é estar vivo, é respirar, é ter Oxalá dentro de nós. O poder reprodutor masculino é mais um de seus domínios. O esperma é o seu líquido (símbolo) e muitas de suas comidas são confeccionadas de forma a lembrar o sémen da vida. É o pai que ama, que dá carinho, que protege e que acompanha o filho ao longo de toda a sua vida, aconselhando e mostrando o caminho do bem. A Paz e o bem-estar da humanidade são as suas maiores responsabilidades.

Oxalá representa a totalidade, o único orixá, que como Exu, reside em todos os seres humanos. Já que os homens vivem sob o mesmo tecto, o Céu, o grande Alá que os cobre e protege. Assim sendo, todos são seus filhos e como consequência, todos são irmãos. Ele representa também o conhecimento empírico, neste caso colocado acima do conhecimento especializado que cada orixá pode representar: Ossain – a liturgia; Oxóssi – a caça; Ogum – a metalurgia; Oxum – a maternidade; Iemanjá – a educação e assim sucessivamente.O ritual mais importante em homenagem a este orixá é o das “Águas de Oxalá”, que marca o início de um novo ano religioso no Candomblé.

 Oxaguiã:

 O Guerreiro Branco 

Oxaguiã é um orixá funfun jovem e guerreiro, que impõe o desafio introduzindo a diferença na humanidade. Ele luta para que todos os seres humanos estejam unidos em volta de um mesmo ideal: o diálogo, o respeito pela diferença e a procura da Paz como bandeira de todos os homens. Oxaguiã representa a contradição básica de todo o ser: igual na essência, mas diferente na aparência.Outra característica deste orixá é o gosto descontrolado que tem pelo inhame pilado, sua comida preferida. O que lhe valeu o apelido de “Orixá-comedor-de-inhame-pilado”. Para facilitar a preparação do seu prato predilecto, inventou o pilão, passando então a ser saudado como o dono do pilão (Olóodo).

Este orixá está directamente relacionado com o sustento do dia-a-dia, normalmente, deus da mesa farta.No final das festividades de Oxalufã, há a grande festa de Oxaguiã, que é chamada “Dia do Pilão” (Ojó odo) na qual, não pode faltar o inhame cozido e pilado.As insígnias deste orixá são a espada e o pilão, ambos feitos em prata lavrada.  Oxalá é então considerado o maior dos orixás, o mais venerável e o mais venerado. Seus adeptos usam colares de contas brancas e para o homenagearem há sexta-feira, dia que lhe é consagrado, vestem-se de branco. Este hábito estende-se a todas as pessoas filiadas ao Candomblé, mesmo as que são consagradas a outros orixás.

Na religião católica é sincretizado com Bom Jesus de Braga e com Nosso Senhor Jesus Cristo.

Saudação: “Epa Bábá”                               

 
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